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Desinformação, desertos de notícias e os impactos na Amazônia

Le Monde Diplomatique Brasil - 18 de abril de 2023



A maior parte das comunidades tradicionais que fazem parte da Reserva Extrativista de Tapajós – Arapiuns, em Santarém, no Pará, não tem energia elétrica. Quem dispõe, recorre ao famoso “gatão”, como costumam denominar a tarefa árdua de passar dias na mata para abrir pico para linhão passar com o fio de energia. Contudo, a comunicação entre os territórios é feita principalmente por rádios postes. Elas funcionam a partir de um motor gerador, que é ligado quando há mutirão para compra de combustível. São 13 mil moradores em 75 comunidades, sendo 26 em aldeias indígenas, que utilizam desse tipo de mídia para receber e transmitir informações.


A conexão de internet também é precária e, muitas vezes, os moradores ficam sem acesso porque a antena de telefonia sofre algum tipo de dano. Mas ainda assim o rádio é fundamental porque “os principais assuntos tratados são avisos comunitários, vindas e atendimentos do barco hospital, os cuidados com o igarapé, com o lixo e a manutenção da unidade de conservação”, descreve Henrique Ferreira, indígena Tapajós e morador da Resex, representante do Coletivo Jovem Tapajônico. A rádio Mosquito, nome dado ao veículo construído pelos jovens, é um exemplo de resistência aos desertos de notícia, termo criado a partir da pesquisa Atlas da Notícia que tem como objetivo mapear veículos jornalísticos de cobertura local que trabalhem com pautas de interesse público.


Outro monitoramento que desde 2016 apresenta relatórios mensais sobre a infodemia socioambiental é o do laboratório Netlab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De acordo com os estudos, as principais narrativas utilizadas por políticos e influenciadores em 2022 endossaram as teorias negacionistas, exaltaram o agronegócio e defenderam as ações do ex-governo Bolsonaro em torno das questões ambientais.




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