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Discurso de ódio mira ativistas climáticos e defensores da Amazônia nas redes

InfoAmazonia - 20 de dezembro de 2023



O modus operandi da indústria da desinformação segue funcionando tanto no exterior quanto no Brasil. Um grupo pequeno, mas com financiamento por trás, dá vazão a um discurso extremista anticlima, segundo um levantamento publicado às vésperas da COP28 pela Climate Action Against Disinformation (CAAD), uma coalizão formada por mais de 50 organizações internacionais voltadas a combater desinformação climática.


O estudo encontrou, apenas no Twitter (atual X), mais de 65 mil postagens com uma linguagem empregada para descaracterizar os discursos pró-mudanças climáticas, além de outros 34 mil posts com mensagens ofensivas a pessoas físicas ou ações a favor do meio ambiente. Nesse segundo caso, as palavras-chave usadas foram “ecoterrorista” e “ecoterrorismo”.


No Brasil, o discurso de ódio contra lideranças e ativistas ambientais segue a cartilha do que está sendo feito lá fora. O projeto Mentira Tem Preço, que monitora discurso de ódio e desinformação sociambiental nas redes sociais, em grupos públicos de aplicativos de mensagem e em plataformas, encontrou ataques de usuários formadores de opinião e até integrantes do governo contra lideranças e políticos que defendem a Amazônia e a pauta ambiental.


As mensagens monitoradas pelo CAAD foram publicadas entre 1º de janeiro de 2022 e 30 de novembro de 2023. As palavras-chave foram buscadas de forma combinada e divididas em três grupos de linguagem: neutra, carregada de preconceitos contra as mudanças climáticas e seguramente anticlima.



 


Lori Regattieri, pesquisadora associada ao Netlab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e doutora em comunicação e cultura, afirma que o cotidiano vivido por várias lideranças indígenas é resultado de uma “dinâmica complexa” e está, sim, relacionado com os discursos de ódio online: “a desinformação e a retórica inflamada nas plataformas digitais não apenas refletem, mas exacerbam tensões e conflitos reais. É um fenômeno que transcende um ciclo vicioso isolado”, explica.


"A desinformação e a retórica inflamada nas plataformas digitais não apenas refletem, mas exacerbam tensões e conflitos reais. É um fenômeno que transcende um ciclo vicioso isolado", diz.


Para Lori, a difamação nas redes sociais tem um impacto profundo porque realmente catalisa a violência no mundo real. “Particularmente contra povos indígenas, quilombolas e ambientalistas, além de lideranças locais (como sindicalistas, extrativistas, seringueiros, agricultores)”, explica.


Além disso, especialmente no Brasil, setores influentes do ponto de vista político e econômico, como da pecuária, da soja, do dendê e da mineração tornam o quadro ainda mais delicado. “Grupos ligados a esses setores empregam plataformas como WhatsApp e Telegram, além das redes sociais tradicionais, para disseminar um ambiente de medo e desconfiança, frequentemente recorrendo a teorias conspiratórias e desinformação.


Essas práticas são particularmente evidentes em debates sobre licenciamento ambiental, direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais e a flexibilização do uso de agrotóxicos. Essas narrativas, muitas vezes, encontram eco nos discursos de figuras políticas e são amplificadas pela grande mídia, formando um ciclo que se sustenta independentemente das ações do governo executivo”, afirma a pesquisadora.




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