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Fake news sobre a tragédia e negacionismo climático geram lucro no YouTube; veja mapeamento

EXTRA - 02 de junho de 2024



Mesmo após assinar em conjunto com outras plataformas um acordo de cooperação para evitar a propagação de fake news sobre as enchentes no Rio Grande do Sul, a rede de compartilhamento de vídeos YouTube tem permitido que canais lucrem com conteúdos que fazem alegações falsas sobre a tragédia ou promovem discursos negacionistas sobre as mudanças climáticas. O alerta é do NetLab, laboratório vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou postagens desinformativas que seguem monetizadas pela big tech. Ao menos oito desses vídeos, em que são exibidos anúncios vendidos pelo YouTube, somam juntos mais de 2,3 milhões de visualizações desde o início de maio.


O NetLab/UFRJ chama atenção para vídeos monetizados que lançam dúvidas sobre os efeitos das mudanças climáticas em episódios como o das chuvas no Rio Grande do Sul. Com quase 100 mil visualizações, um desses conteúdos foi publicado em 12 de maio por um perfil voltado para dicas de investimentos. No vídeo em questão, com 20 minutos de duração, o responsável pela canal nega existir relação direta entre as mudanças climáticas e a catástrofe vivida pelos gaúchos.

— Em 1941, quando o mundo emitia cerca de 5 bilhões de toneladas de CO2 por ano, enquanto hoje é mais de 35 bilhões, e mesmo assim tivemos enchentes — diz o autor do vídeo.


A afirmação contraria o consenso científico. Especialistas apontam que tanto a frequência quanto a intensidade de fenômenos como as chuvas no Rio Grande do Sul têm sido influenciadas pelas mudanças climáticas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), maio passado foi o mês mais chuvoso da história de Porto Alegre desde 1910. A cidade contabilizou pela primeira vez uma marca acima de 500 milímetros de chuva registrados.

Sem responsabilização


Diretora do NetLab/UFRJ, Rose Marie Santini explica que a monetização de vídeos desinformativos é perigosa por eclipsar o acesso a informações verdadeiras durante um período de calamidade. Ela defende que as big techs sejam responsabilizadas:

— A monetização traz vantagens na recomendação de conteúdos nas plataformas, que precisam se responsabilizar pela forma como ganham dinheiro. A gente sabe que moderam diversos conteúdos, mas não são transparentes no que moderam e como moderam. É um serviço que oferecem para anunciantes, e elas são responsáveis pelos serviços que prestam.



Acesse o relatório


Enchentes no RS - Uma análise da desinformação multiplataforma sobre o desastre climático
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